Opinião | Sean Combs: The Reckoning, um monstro anunciado

A minissérie “Sean Combs: The Reckoning”, realizada por Alexandria Stapleton e produzida por Curtis “50 Cent” Jackson, recompõe a carreira de Diddy sem grandes novidades. Reorganiza episódios já conhecidos: o contexto e a influência nos assassinatos de Tupac e de Biggie, o abuso de poder na indústria, o desrespeito pelos músicos que produzia, os maus-tratos a mulheres e homens, as drogas. A série recorre também a vídeos filmados dias antes da detenção do artista, que lhe dão um impacto particular, sobretudo no terceiro episódio, em que o videógrafo contratado pelo próprio Diddy regista uma ida a Harlem onde ele demonstra um desprezo absoluto por quem o aborda, um relato cru, perturbador e, francamente, asqueroso. Os testemunhos de antigos colaboradores são verdadeiros pregos no caixão, reforçando o retrato incriminatório. 50 Cent e a realizadora têm ainda especial cuidado em mostrar que Diddy era uma nulidade enquanto músico e, sobretudo, enquanto gangster que sonhava ser mas nunca conseguiu; sempre fingiu ser e usou outros para o ser. Visto assim, Puff Daddy dispensa qualquer esforço adicional para se revelar como alguém profundamente detestável.














ana sofia santos: agirlonfilm@sapo.pt


